Existe um convênio de prestação de serviços fonoaudiológicos entre Santa Casa da Misericórdia de Ouro Preto (SCMOP) e Prefeitura Municipal de Ouro Preto (PMOP. O objetivo é prestar atendimentos aos pacientes advindos da região e distritos de Ouro Preto, minimizando o quadro de demanda e priorizando um atendimento precoce e eficiente possibilitando também, a continuidade à reabilitação aos pacientes pós-alta hospitalar evitando reinternação.
Esse atendimento é realizado na própria instituição, diariamente no período da tarde, e conta com uma sala ampla com recursos necessários (maca, espelho, jogos, instrumentos fonoaudiológicos para manipulação de exercícios intra e extra oral, aparelho de som (microsystem), além da parceria com médicos que quando solicitados auxiliam na intervenção de procedimentos como retirada de sonda nasoentérica e outros procedimentos que auxiliam para um atendimento de qualidade aos pacientes.
As principais patologias atendidas na SCMOP são: sequelados de AVC – maioria encaminhado pela Santa Casa - além de gagueira, paralisia cerebral, disfonia, deficiente auditivo, hiperatividade, autista, dificuldade de aprendizado, doenças degenerativas que comprometem a deglutição e outras.
Hoje existe também um projeto de Musicoterapia sob o comando da Fonoaudióloga Glêice Couto e o apoio de uma equipe Multidisciplinar: Psicóloga para intervenção psicológica, Terapeuta Ocupacional trabalhando AVD (atividade de vida diária) e a Companhia da Gente, estudantes de Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que utilizam instrumentos musicais e canto para interagir com os pacientes.
A musicoterapia é uma ciência que busca por meio da música e seus elementos (ritmo, melodia e harmonia), mobilizar aspectos cognitivos, emocionais e outros, possibilitando a expressão por meio da fala, do canto, dos movimentos corporais, integrando o indivíduo de forma biopsicossocial.
O principal objetivo do projeto de musicoterapia é trabalhar a reabilitação das pessoas portadoras de seqüelas de AVC, que apresentam a afasia, que é a perda da capacidade - em algum nível - de produzir ou compreender a linguagem. Pensando no cérebro e na neuroplasticidade, capacidade exclusiva do SNC (Sistema Nervoso Central), a fonoaudióloga buscou técnicas para utilizar a musicoterapia e exercícios fonoterápicos com foco terapêutico condicionado no desenvolvimento das habilidades compensatórias funcionais danificadas, e as restaurações delas, com o fim de compensar áreas perdidas, melhorando assim a qualidade de vida dos pacientes.
A realização desse trabalho acontece no refeitório da própria instituição (SCMOP), todas as quartas-feiras na parte da tarde com duração de uma hora. Atualmente o grupo é formado por nove pacientes.
A cada encontro um novo tipo de atividade é utilizado, porém o foco principal é a musicoterapia, mas também utilizam jogos e outras ferramentas para estimular as linguagens oral e escrita. Os pacientes interagem cantando, acompanhando as músicas com instrumentos de percussão ou fazendo movimentos com os pés para marcar o ritmo. Observa-se que os pacientes apresentam um bem estar, tranqüilidade, alegria e distração durante os atendimentos, com uma melhora considerável em seu estado físico, emocional e psicológico. A musicoterapia, neste sentido, proporcionou aos pacientes momentos de desligamento do “aqui e agora”, do conconteudo de dor, de angústia, do estar e do sentir-se doente.
Através da música, em musicoterapia, os pacientes, viajam em seus pensamentos, indo para qualquer tipo de fantasia ou mundo escolhido por eles mesmos, sendo na maioria das vezes um mundo cheio de vida, amor, companheirismo, amizade e lembranças de uma vida saudável, seja ela passada ou futura, porém carregada de esperança através dos momentos de distração que são expostos.